Perseguição acaba em duas mortes

A Chefia de Polícia Civil do Rio considerou legítima a ação de dois policiais que acabou com cinco pessoas mortas na última terça-feira (23); entre elas, duas vítimas inocentes de um assalto, em Brás de Pina, no subúrbio.

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Segundo o diretor de Polícia Especializada, Alan Turnowski, os policiais seguiam para uma diligência quando foram abordados por motociclistas que informaram do roubo de um carro. Ele afirma ainda que os policiais não sabiam da presença de vítimas no veículo.

“A princípio, a ação foi legítima e não poderia ser diferente quando bandidos reagem a uma abordagem com 50 tiros. Eles reagiram a uma ação de bandidos e a versão dos policiais é compatível com os depoimentos das testemunhas ouvidas”, afirmou o diretor, que pôs a culpa na cultura de enfrentamento dos assaltantes.

Corregedoria acompanha investigação

De acordo com o diretor, no entanto, no carro da polícia só consta uma perfuração de bala no pára-choques. Turnowski diz ainda que a Corregedoria da Polícia e o Ministério Público vão acompanhar as investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), onde trabalham os policiais envolvidos na ação.

“Acredito totalmente na lisura da investigação e, caso os laudos ou alguma outra prova dê indícios do contrário, não vamos ter constrangimento em punir os policiais”, garantiu, acrescentando ainda que tanto as armas dos policiais quanto às dos criminosos serão levadas para perícia.

Nesta quarta-feira (24), no entanto, quem ia a delegacia encontrava um cadeado na porta e um número de celular de plantão pregado na porta.

Além das armas, o carro, o local e projéteis ou fragmentos de bala encontrados nos corpos das vítimas também serão analisados. Segundo o diretor, os dois policiais passaram por cursos de reciclagem no segundo semestre deste ano.

Declaração às famílias

“Não tem como falar às famílias que a gente simplesmente lamenta. Mas queria dizer que estamos na mesma luta e também temos policiais que morrem e deixam suas famílias para tentar defender a sociedade”, declarou Turnowski.

“Vocês podem ter certeza de que esses dois policiais também não vão ter um natal feliz sabendo que mataram dois inocentes”, disse.

‘Polícia só pensa em matar’, diz pai de vítima

O clima é de revolta e impotência entre as famílias das vítimas:o soldado do Exército Rafael Oliveira dos Santos, de 21 anos, e vigilante Paulo Marcos da Silva Leão, 26.

“Quando cheguei lá meu filho estava morto. A polícia só pensa em matar”, desabafou José Antonio Bezerra dos Santos, pai de Rafael.

A família de Paulo, que trabalhava como vigilante, chegou a encontrá-lo com vida no valão onde o carro caiu após a perseguição policial.

“Ele chegou a ir para o hospital, mas não resistiu. Foi tudo muito rápido. Foram três tiros, um no ombro, um na nuca e um na lombar”, contou o primo Vítor Hugo Mesquita. Segundo ele, a mãe da vítima precisou ser internada no hospital e tomar sedativos.

Exército investiga morte

O Comando Militar do Leste informou que já pediu a abertura de uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte do soldado morto na perseguição. Em nota, o órgão afirma que a família do militar está recebendo assistência do Exército.

A nota diz ainda que Rafael servia no 2º Batalhão de Infantaria, tinha 21 anos e estava no Exército desde março de 2006. Morador de Brás de Pina, ele deixou companheira e um filho.

Como foi

Segundo testemunhas, os amigos Paulo e Rafael ouviam música no carro, quando foram abordados por três homens que os obrigaram a entrar no veículo. Uma pessoa viu a ação e chamou uma patrulha da políicia civil que passava próximo ao local.

Durante a perseguição, houve troca de tiros e todos os integrantes do carro roubado foram mortos, inclusive as vítimas.

PM absolvido

Essa não é a primeira vez que inocentes morrem em tiroteios. No início do mês, um dos policiais acusados de ter matado o menino João Roberto, de 3 anos, na Tijuca, Zona Norte do Rio, foi absolvido.

O crime aconteceu depois que ele e o companheiro de equipe abriram fogo contra o carro em que o menino estava com a mãe e o irmão caçula. Os policiais alegaram que, numa perseguição, confundiram o veículo em que a família estava com o dos criminosos em fuga.

Em julho, um administrador foi feito refém num seqüestro-relâmpago. Uma patrulha policial desconfiou dos assaltantes e perseguiu e atirou no carro em que estavam a vítima e os suspeitos. A PM alegou que os tiros disparados foram uma reação ao ataque dos criminosos.

“Não podemos comparar os fatos. Nesse caso, a princípio, há um confronto comprovado, com início diferente dos outros dois episódios”, disse Alan Turnowski.


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