Análise da pickup Nissan Frontier LE

O morro da Pedra Grande, em Atibaia (SP), a quase 1.400 metros de altitude, foi o mais alto do percurso feito pela equipe do site G1 com a picape Nissan Frontier, que há dois meses passou a ser fabricada no país.

Até chegar lá, o carro encarou o trânsito na Marginal Pinheiros, vias lotadas na região da Avenida Paulista, subidas e descidas do bairro de Perdizes, a famosa saída do paulistano na Marginal do Tietê, a 120 km/h na Rodovia Fernão Dias e a estrada de terra rumo à Pedra Grande. O utilitário, que antes vinha da Tailândia, mostrou em sua “versão brasileira” um bom desempenho nos mais variados tipos de terreno e condições de trânsito.

A Frontier custa a partir de R$ 82,9 mil na versão de entrada com tração 4×2. O modelo que o G1 andou foi o topo de linha Nissan Frontier LE 4×4, cabine dupla, com câmbio manual de seis marchas, equipada com o pacote luxuoso, que custa a partir de R$ 123,3 mil. Para quem já tinha feito a subida ao ponto turístico de Atibaia “maltratando” um carro hatch na terra e no cascalho, a experiência com a picape como levar a família para passear em uma avenida.

Para que não conhece, a Pedra Grande é uma grande formação rochosa ao lado da cidade de Atibaia, a 80 km de São Paulo, de onde se pode avistar várias cidades da região. O local é muito visitado por turistas e praticante de vôo livre, principalmente nos finais de semana. O caminho para chegar lá e uma estrada de terra que passa por chácaras e vilarejos e encara uma subida sinuosa principalmente no trecho final, já quase chegando na pedra. Dá para fazer o caminho de carro (se não tiver chovido muito), mas com uma picape é outra coisa.

A suspensão com eixo independente na frente e rígido atrás garante muita estabilidade em terrenos sinuosos e segurança nas curvas, não chega a ser desconfortável para quem viaja no banco traseiro. O motor 2.5 litros de 16 válvulas traz o barulho característico dos propulsores turbodiesel. Na Frontier LE, o motor tem 172 cavalos de potência para empurrar o veículo de duas toneladas (com mais 1.005 kg de capacidade de carga). As versões mais baratas (XE e SE) usam motor de 144 cavalos.

Para as subidas mais íngremes ou em uma necessidade de sair de atoleiro, é possível acionar a tração 4×4 girando um botão que fica à direita do volante, no painel central. A mudança pode ser feita com o carro em movimento (até 95 km/h) e com as opções de uma tração mais forte ou mais reduzida e não provoca nenhum solavanco.

Outro equipamento curioso é a bússula digital que fica no espelho retrovisor indicando a direção para qual a picape segue (N, NE, E, SE, S, SW e NW). Mas, na era do GPS, alguém ainda sabe como se orientar por meio de uma bússola?

A cabine dupla entrega honestamente o conforto a todos os ocupantes. O banco traseiro traz bom espaço para as pernas e os porta-objetos espalhados pelo interior do veículo (porta copos, porta-garrafas e até porta-óculos do motorista) são práticos. O pacote luxuoso da versão topo de linha vem com rádio CD Changer (6 CDs) com MP3, e seis alto-falantes. Esta versão conta ainda com airbag duplo frontal, freios ABS, faróis de neblina, rack de teto, estribos laterais como itens de série. É definir a trilha sonora e cair na estrada.

No asfalto

Se na terra a picape mostra toda a sua robustez, o desempenho da Nissan Frontier nas rodovias é de muita estabilidade a velocidades mais avançadas, mas não é muito recomendável acelerar um carro tão pesado que, como toda picape, pode “escapar de traseira” se estiver com a caçamba livre. O câmbio não é dos mais macios, e em algumas vezes o encaixe das marchas “engasgou”.

No trânsito de São Paulo, a Frontier dá ao motorista uma agradável sensação de estar acima de toda a confusão do congestionamento de carros e motos graças ao amplo ângulo de visão e a altura elevada (1,78 metros). Por outro lado, o utilitário tem 5,23 metros de comprimento e, por isso exige mais atenção nas curvas (é preciso esterçar mais o volante). Conseguir um espaço para estacionar é quase um milagre. E para quem mora em apartamento, corre o risco de ver o carro com a parte onde fica o motor para fora do limite da garagem do prédio.

A Nissan Frontier é a última colocada no ranking das picapes mais vendidas do país. Tem apenas 6,43% de participação do mercado em 2008, com 5.681 unidades vendidas de janeiro a novembro segundo a lista da Fenabrave. Está muito atrás da tradicional Chevrolet S-10 (com 29.444 unidades, ou 33,4%); da luxuosa Toyota Hilux, que renovou seu visual (19.493, ou 22%), da tecnológica Mitsubishi L200 (17.626, ou 19,9%) e da Ford Ranger, outra que não mudou muito (12.731). Com a opção pela fabricação nacional na unidade de São José dos Pinhais (PR), a Nissan pode melhorar um pouco a presença da Frontier no mercado de picapes. Veículo, para isso, ela tem.

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