Câncer de próstata: exame não reduz mortalidade

Os exames de rastreamento de câncer de próstata não precisam ser feitos por todos os homens acima de 50 anos, como já foi defendido anteriormente, afirma o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Segundo o instituto, apenas aqueles homens que apresentem sintomas da doença (dificuldade, dor ou sangramento ao urinar e freqüência urinária aumentada – especialmente durante a noite) devem comparecer ao médico.

São exames de rastreamento o toque retal e a dosagem do antígeno prostático específico (PSA, na sigla em inglês). Segundo Marcus Valério de Oliveira, técnico da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Câncer do Inca, “os estudos feitos na área não conseguiram provar, até o momento, que a realização de exames em homens assintomáticos consegue fazer com que a mortalidade da doença seja reduzida”.

O Inca aponta como dado o fato de o câncer de próstata ser detectado em 30% dos exames pós-morte feitos em homens acima de 50 anos. Como o número de homens que morrem pela doença é bem menor, conclui-se que, na maioria dos casos, a evolução do tumor não chega a afetar a saúde do indivíduo.

“Muitas vezes o homem morre com o câncer, e não por causa do câncer”, explica Oliveira. Uma grande parte dos casos detectados tem uma evolução lenta, que não chega a afetar a saúde do indivíduo. Nesses casos, os efeitos colaterais sofridos pelo paciente ao longo do tratamento (disfunção erétil e incontinência urinária, entre os mais importantes) fariam com que este não valesse a pena.

Mas há um alerta a ser feito: os exames de rastreamento não conseguem detectar qual tumor evoluirá de forma rápida, e, portanto, poderá levar à morte do indivíduo, e qual não. “Por isso, quando o câncer é detectado, ele precisa ser tratado”, pontua o médico.

Pesquisas – Segundo Marcus Oliveira, duas pesquisas sobre câncer de próstata estão sendo acompanhadas atualmente pelo Inca. Uma delas, conhecida pela sigla PLCO, é realizada nos Estados Unidos e reúne 11 universidades. A outra, conhecida como ERSPC, reúne universidades de oito países europeus.

Em ambos os casos, os resultados obtidos até o momento não apontam que o rastreamento reduz a mortalidade causada pela doença. “O Ministério da Saúde seria irresponsável em propor, como política pública, um exame cuja eficácia não está comprovada cientificamente”, explica Oliveira.

O Inca aponta, ainda, que os únicos países onde o exame de rastreamento é recomendado como política pública são o Brasil e os Estados Unidos, onde é mais usado o PSA. “Mas lá, há uma forte pressão feita por empresas farmacêuticas, que têm interesses comerciais na realização do PSA, que usa seus produtos”, dispara o médico.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o câncer de próstata atinge cerca de 50 mil pessoas por ano no Brasil e leva à morte em 10% dos casos.


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Comentários

  • Carlos Henrique Carrato disse:

    Muito importante esta informação,pois é horrivel quando nos sentimos dirigidos como um rebanho de carneirinhos bem comportados.Somos sempre indusidos a consumir cada vez mais remédios e elaborar mais exames em obediência as ordens dos laboratórios.

  • pedro disse:

    Esse médico deveria aprender a ler direito… Os artigos que ele citou falam que o rastreamento não reduz a mortalidade.. mas quando comparado com a conduta usual. Ou seja, a única coisa que o artigo prova é que fazer exame de toque e PSA ANUALMENTE não reduz a mortalidade, mas, deve ser feito com uma certa frequencia a partir dos 50 anos de idade em pacientes com risco habitual. Quem tiver interesse leia o artigo “Mortality Results from a Randomized Prostate-Cancer Screening Trial” Andriole GL.