Mulher que roubou bebê de hospital vai responder por sequestro

A mulher que se entregou à polícia na noite de sábado (23) após ter levado um bebê de um hospital em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, vai responder por sequestro, segundo informou o delegado Geraldo Assed Estefan, titular da 72ª DP (São Gonçalo) e responsável pelo caso. A pena para o crime varia de 1 a 5 anos de prisão.

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“Ela vai responder por sequestro com agravante da vítima ser menor de 18 anos”. Segundo o delegado, a suspeita confessou ter roubado o bebê e pareceu arrependida. Ele está presa na 73ª DP (Neves) e deve ser transferida ainda nesta tarde para a Polinter de Magé. “Ela confessou que queria ter uma filha menina, então foi lá e subtratiu a criança. Me pareceu um pouco arrependida”. Ainda segundo o delegado, alguns detalhes sobre o caso ainda estão sendo checados, mas não há dúvidas da autoria do crime. “A autoria está confirmada. Só estamos checando pra ver se ela teve ajuda de alguém”.

Reencontro emocionado

O reencontro de mãe e filha foi marcado por muita emoção, segundo a avó paterna da criança, Rita de Cássia Marciano, que, junto com o pai do bebê, foi a Cordeiro, na Região Serrana do Rio, buscar a menina.

“Eu que fui buscar com meu filho. Chegamos no Rio por volta das 2h. Eu tô muito contente com a minha netinha. Comprei brinquinha pra botar nela e vestidinho. Ela já mamou, fizeram exames nela e tá muito bem”. Segundo ela, mãe e filha devem ter alta ainda neste domingo.

Em entrevista coletiva realizada na noite deste sábado (23), no Hospital São José dos Lírios, em São Gonçalo, Elisa da Silva Barbosa não conteve o choro ao falar sobre a notícia de que a filha recém-nascida havia sido localizada. “Agora eu posso chorar, mas de alegria”, disse a mãe da pequena Ayana Mila. “Em nenhum momento eu perdi as esperanças. Eu acredito nas pessoas boas, sabia que elas iriam denunciar, ligar. E foi o que aconteceu”, comemorou.

Hospital nega falha na segurança

Para Alice Diniz, diretora-administrativa do hospital em São Gonçalo, não houve falha na segurança. “Se vocês (referindo-se aos jornalistas presentes) se travestirem de médico e apresentarem uma carteira falsa, poderão entrar em qualquer unidade hospitalar deste país. O que aconteceu foi uma fatalidade”, afirmou. “A gente não revista bolsas nem retém documentos, o que é proibido”, ressaltou Alice, explicando sobre o fato de a suspeita possivelmente ter deixado o hospital carregando o bebê em uma bolsa no ombro.

“Não houve falha no nosso procedimento, que é padrão e utilizado pela maioria dos hospitais. O problema é que a operação padrão já não é mais suficiente para evitar o que ocorreu”, afirmou Moutinho. “As pessoas de má-fé são pró-ativas e descobrem maneiras de burlar os procedimentos”, complementou.

O diretor-médico do hospital, Sérgio Duarte Moutinho, e Alice Diniz afirmaram que pretendem levar ao Conselho Regional de Medicina uma sugestão para melhor o cadastro de médicos acessado pela internet. “Na segunda-feira, vamos encaminhar as sugestões ao conselho”, afirmou a diretora.

Outras tentativas de roubo

Na manhã de sábado (23), o delegado Assed revelou que a suspeita já havia tentado levar outra criança, meia hora antes, em uma clínica no mesmo município. “A gente também recebeu uma informação de que a suspeita foi barrada em um hospital público. Ela se apresentou como enfermeira, mas foi barrada pela segurança por não ter sido reconhecida como funcionária”, contou Estefan.
A suspeita foi identificada nas imagens gravadas pelo circuito interno de TV do hospital onde o bebê foi roubado. Ela foi reconhecida pelos pais que perderam a criança, pelos pais e pela tia do neném que quase foi levado e pela enfermeira que evitou o roubo na clínica.

Disfarce

A enfermeira contou à polícia que desconfiou da suspeita e a abordou, mas acabou a liberando quando ela apresentou uma carteira de enfermeira. “A gente acha que a segurança do hospital não devia ter liberado a mulher”, criticou a tia.

“Eles desconfiaram na hora. Retiraram a mulher do local e a liberaram, mas não registraram a ocorrência na delegacia”, contou o delegado. E completou: “A suspeita estava determinada a roubar uma menina. Ela se mostrou fria, tranquila, e até com um certo conhecimento do local”, ressaltou.

O roubo

Por volta das 17h desta sexta, uma mulher vestindo jaleco branco e com um estetoscópio em volta do pescoço entrou no quarto e avisou que precisava levar o bebê para exame. Elisa e o marido deixaram que ela levasse o bebê. Imagens gravadas pelo circuito interno de segurança mostram a suspeita esperando pelo elevador. Minutos depois ela desce, supostamente com a criança dentro de uma bolsa que carregava.

“Ela entrou no quarto, dizendo que era pediatra, e que queria examinar a ‘nenê’, e perguntou se a gente já tinha feito exame do pezinho, de orelhinha, como na minha cidade em Manaus é de praxe todo hospital fazer isso dentro do hospital, aí eu achei que aqui também seria assim”, disse Elisa.
A falsa médica precisou de menos de 15 minutos para entrar no hospital, chegar ao terceiro andar, ao quarto de Elisa, pegar a criança e sair, sem que ninguém percebesse.

Assim que percebeu que tinha acontecido, o diretor do hospital, Sérgio Moutinho, chamou a polícia. “A própria mãe deu a criança, a gente não tem um acesso a isso, e ela saiu com a criança dentro da bolsa, então a gente não revista a bolsa quando sai. Mil pessoas entrando e saindo, a gente não conhece a pessoa. Ela entra como visitante”, disse ele.


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